5 perguntas com Alex Carreteiro

Inovar em alimentos e bebidas vai muito além da tecnologia. Na PepsiCo, significa cultivar uma cultura de transformação contínua, que conecta sustentabilidade, dados e colaboração para gerar impacto em toda a cadeia de valor.

Nesta entrevista exclusiva, Alex Carreteiro, CEO da PepsiCo Brasil, compartilha como a operação brasileira vem acelerando essa agenda — da aplicação de IA no campo e nas vendas à importância da liderança próxima e de ecossistemas abertos para inovação.

Confira a conversa na íntegra:

1. Inovação costuma ser associada a grandes avanços tecnológicos, mas na prática, depende de cultura, decisões cotidianas e abertura para testar novas ideias. Na PepsiCo, iniciativas como o PepsiCo Labs vêm impulsionando essa mentalidade globalmente, conectando a companhia a soluções do ecossistema. O que significa, na sua visão, inovar em um negócio tão complexo quanto o de alimentos e bebidas? E como essa lógica tem se consolidado na operação brasileira?

Inovar em alimentos e bebidas é mais do que tecnologia — é cultura, atitude e visão de futuro. Na PepsiCo, entendemos que manter a relevância em um setor tão dinâmico e essencial como o de alimentos e bebidas exige muito mais do que lançar novos sabores ou produtos. Somos donos de marcas icônicas como Lay’s®, Ruffles®, Doritos®, Tostitos™, Quaker® e Kero Coco®, temos mais de 70 anos de história só no Brasil e com nossa presença global, cultivamos uma mentalidade inovadora que permeia todas as dimensões do nosso negócio.

Da origem ao consumidor final, inovação está em cada etapa. E, no Brasil, essa lógica se consolida de forma concreta e estratégica. A inovação começa no campo, com nossos produtores rurais e práticas agrícolas sustentáveis, passa pela forma como operamos, nos relacionamos com nossos públicos e colaboradores, e chega até o desenvolvimento de embalagens mais eficientes e recicláveis. Tudo isso com foco em impacto positivo, agilidade e adaptação às novas demandas do consumidor.

Por isso, tratamos Inovação como cultura, não como departamento. Na PepsiCo, inovar é uma responsabilidade compartilhada. Estimulamos essa mentalidade em todas as áreas — não apenas nas equipes de tecnologia ou P&D. Cada colaborador é incentivado a pensar de forma criativa e a propor soluções que melhorem processos, produtos e experiências. Essa abordagem colaborativa é o que nos torna, pelo segundo ano consecutivo, uma das empresas mais inovadoras do setor no Brasil, segundo o ranking Valor Inovação.

Iniciativas como o PepsiCo Labs aceleram essa jornada, conectando a companhia a startups e soluções disruptivas que ajudam a resolver desafios reais do negócio. É assim que transformamos ideias em impacto — com abertura, colaboração e coragem para testar o novo.

2. Segundo a McKinsey, o uso de inteligência artificial nas organizações saltou de 55% em 2023 para 78% em 2024, um avanço que mostra como a tecnologia vem ganhando espaço nas decisões estratégicas e operacionais. Como você enxerga o papel da IA no processo de inovação? E como a PepsiCo tem incorporado essa tecnologia nas operações do Brasil e do Cone Sul?

A inteligência artificial não deve ser considerada apenas como uma tendência — é uma alavanca poderosa de inovação. Na PepsiCo, entendemos que a IA não surgiu de forma repentina. Sempre usamos tecnologia para nos conectar com os consumidores, mas o avanço recente da IA tem ampliado exponencialmente nosso potencial de transformação — tanto nas decisões estratégicas quanto nas operações do dia a dia.

Em nossa cadeia de suprimentos, soluções de IA preditiva nos ajudam a antecipar problemas logísticos, prever demandas com mais precisão e gerenciar estoques de forma inteligente. Isso pode se traduzir em eficiência operacional, redução de custos e ganhos em sustentabilidade, pilares fundamentais para o nosso negócio.

Já na área de Vendas, estamos evoluindo nossa estratégia de Go to Market com forte digitalização. A IA e a automação estão remodelando o processo comercial, tornando-o mais ágil e inteligente. Nossos vendedores agora atuam de forma mais consultiva, com acesso a dados que permitem prever demandas, facilitar pedidos e fortalecer o relacionamento com clientes.

No Brasil e no Cone Sul, essas iniciativas estão ganhando força e escala, sempre com foco em gerar impacto positivo para as pessoas, o planeta e em garantir o sucesso do nosso negócio

Acompanhamos de perto as tendências e buscamos constantemente as melhores formas de aplicar a IA como motor de inovação sustentável.

3. Na PepsiCo, temas como ESG, diversidade e inclusão ocupam um lugar central na estratégia — não apenas como compromissos sociais, mas como elementos que impulsionam inovação e competitividade. Como essa visão tem orientado o trabalho de vocês? Pode compartilhar algum exemplo de como esses pilares têm contribuído para gerar valor no negócio?

Na PepsiCo, nossa agenda global de ESG não é apenas um compromisso — ela é o alicerce que orienta decisões estratégicas e impulsiona inovação em toda a cadeia de valor. A inteligência artificial, por exemplo, tem desempenhado um papel fundamental há anos, permitindo que nossas operações sejam mais sustentáveis, eficientes e integradas de ponta a ponta.

Um exemplo concreto está na aplicação de tecnologia no campo. Utilizamos IA e ferramentas digitais para otimizar o uso de recursos naturais, monitorar remotamente a saúde dos cultivos e antecipar riscos ambientais. Isso pode acelerar nossas iniciativas de agricultura regenerativa, contribui para a redução de emissões e fortalece a resiliência da nossa cadeia de suprimentos — gerando valor tangível para o negócio e para o planeta.

4. Você costuma destacar que a liderança precisa estar presente nas decisões do dia a dia, especialmente em momentos de transição ou construção de algo novo.  Em um cenário que exige transformação constante, o que diferencia, na sua visão, uma liderança inovadora? E qual tem sido o seu papel nesse processo dentro da PepsiCo?

Na PepsiCo, acreditamos que a inovação não nasce apenas de grandes ideias, mas da escuta ativa, da proximidade com as equipes e da conexão genuína com os consumidores. Em um cenário de transformação constante, o papel da liderança é estar presente — não apenas nas decisões estratégicas, mas também no cotidiano, onde as mudanças realmente acontecem.

Para mim, uma liderança inovadora se diferencia pela capacidade de cultivar uma cultura de abertura, curiosidade e colaboração. É sobre colocar as pessoas no centro, estimular o pensamento diverso e agir com agilidade diante dos desafios. Essa mentalidade é o que impulsiona soluções relevantes e sustentáveis.

No meu dia a dia, busco ser esse exemplo: estar próximo, ouvir com atenção, provocar reflexões e criar um ambiente onde todos se sintam parte da construção. Liderar, nesse contexto, é menos sobre controle e mais sobre inspiração e confiança.

5. Olhando para os próximos anos, o que está no seu radar como líder de uma das maiores operações da PepsiCo no mundo? Pensando tanto no ecossistema de inovação local quanto na própria companhia, quais movimentos você acredita que vão moldar o futuro do setor de alimentos e bebidas no Brasil e na América do Sul?

Nos próximos anos, vejo que a liderança funcionará como um agente catalisador de transformação — e isso exige cooperação, transparência e coragem para inovar. O consumidor está cada vez mais atento à origem dos produtos, à intencionalidade das marcas e à sustentabilidade da cadeia produtiva. Não basta fazer, é preciso mostrar com clareza o que estamos construindo e por que isso importa.

Estamos diante de uma urgência global: restaurar o equilíbrio climático enquanto atendemos à crescente demanda por alimentos. Isso exige soluções ousadas, escaláveis e colaborativas. A inovação, nesse contexto, não acontece em silos — ela nasce da troca, da escuta e da construção conjunta.

É por isso que iniciativas como o PepsiCo Labs são tão estratégicas. Nosso objetivo é identificar e conectar instituições, startups e ideias que possam resolver desafios não apenas da PepsiCo, mas do setor como um todo. Queremos escalar soluções que inspirem outros atores, moldem o futuro da indústria e gerem impacto positivo para o planeta e para as pessoas.

Como líder de uma das maiores operações da PepsiCo no mundo, meu radar está voltado para fortalecer esse ecossistema de inovação local, acelerar parcerias e garantir que a transformação seja inclusiva, sustentável e relevante para a América do Sul.

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