5 perguntas sobre a COP30

A COP30 colocou o Brasil no centro das discussões sobre clima e sistemas alimentares, e mostrou que implementação é a palavra-chave daqui em diante. Para a PepsiCo, foi a oportunidade de reforçar uma agenda que já faz parte do nosso core: transformar cadeias produtivas com práticas regenerativas, reduzir emissões de ponta a ponta, ampliar o uso eficiente de água e garantir impacto social real nas comunidades onde atuamos. 

Nesta entrevista, Regina Texeira, diretora sênior de assuntos corporativos da PepsiCo, compartilha os aprendizados dos dias intensos em Belém, os bastidores da presença da PepsiCo e o que a conferência sinaliza para o futuro da agenda climática no Brasil e no mundo.

Confira a conversa na íntegra:

1. Depois de todos esses dias intensos em Belém, olhando tanto pela sua perspectiva pessoal quanto pelo olhar de quem representa a PepsiCo em uma agenda global tão estratégica, quais foram os principais insights que você leva da COP30? O que mais se destacou para você e qual é o seu balanço final do encontro?

Voltei de Belém transformada pessoal e profissionalmente. Foram dias intensos, não só pela agenda em si, mas pela força humana que ela carrega. Caminhar pela COP é sentir que estamos tentando escrever uma história nova — e, para mim, essa sensação ficou ainda mais forte por ter tido a oportunidade representar a PepsiCo e também viver essa experiência como cidadã brasileira.

Essa jornada começou muito antes das duas semanas de COP. Desde janeiro, implementamos uma agenda robusta de Assuntos Corporativos para consolidar a liderança da PepsiCo em temas que são estratégicos para nosso negócio (agenda pep+) e que mobilizam a sociedade, tais como: sistemas alimentares regenerativos, descarbonização, água e soluções gerais de impacto positivo para o planeta. Para isso, lançamos mão de uma estratégia envolvendo diversas áreas da companhia em colaboração para posicionar a PepsiCo como referência, influenciando stakeholders, debates e elevando a nossa reputação.

O evento em Belém foi onde toda essa agenda culminou e pudemos reforçar os nossos compromissos e consolidar a imagem da PepsiCo como parceiro de implementação – não apenas na retórica – junto a autoridades brasileiras e globais. Ou seja, reafirmar nosso papel como agente de transformação e liderança global em sustentabilidade, inspirando mudanças e acelerando o impacto positivo em larga escala.

O que mais me marcou nesses dias de COP foi perceber que a transição climática e do sistema alimentar onde nos inserimos depende de gente: produtores, comunidades, empresas, especialistas, jovens e pessoas de instituições diversas… todos construindo soluções em conjunto. A energia da Amazônia potencializou essa verdade de um jeito muito especial.

Saí da conferência com a certeza de que estamos na direção certa na PepsiCo. Nossas entregas em agricultura regenerativa, circularidade, água e clima mostram que não estamos falando de futuro — estamos falando de agora. Já praticamos na PepsiCo, entre diversas outras ações:

  • Mais de 330 mil hectares de agricultura regenerativa no mundo, sendo o Brasil referência global com avanços consistentes;

  •  Uso de energia renovável, como o biometano na fábrica de Itu/SP, e reaproveitamento de água nas operações brasileiras com o uso da tecnologia MBR/OR*;

  •  Iniciativas de impacto social que levam renda e segurança alimentar para quem mais precisa, como os projetos Agro Comunidades e Arroz de Aveia Quaker.

  • Tivemos a oportunidade de mostrar essas e muitas outras iniciativas da PepsiCo na COP30 em todas as mais de 400 interações com autoridades de alto nível que tivemos, 49 painéis dos quais participamos com 6 executivos presentes em mais de 84 horas de discussões, além das entrevistas à imprensa, influenciadores e patrocínio a projetos culturais locais.    

A COP30 me mostrou que, quando juntamos propósito com ação, o impacto aparece.

2. A CEO da COP30, Ana Toni, declarou que o combate às mudanças climáticas deve ganhar celeridade, e isso só acontecerá com a ajuda do setor privado. Como você acredita que as empresas podem participar desse movimento e como a PepsiCo está trabalhando para isso?

Quando a Ana Toni diz que a descarbonização só avança com o setor privado, ela fala uma verdade que eu vejo diariamente. As empresas têm capital, tecnologia, cadeias estruturadas e capacidade de inovação — e isso precisa ser colocado a serviço da agenda climática.

No nosso caso, estamos avançando em energia renovável, redução de emissões, agricultura regenerativa, embalagens circulares e gestão hídrica. Mas, mais do que isso, estamos influenciando nossa cadeia de valor e inspirando parceiros a adotarem metas e práticas semelhantes.

Um dos exemplos, no pilar de agricultura regenerativa, é a parceria que a PepsiCo fechou com a Griffith Foods, com participação da Milhão, nosso principal fornecedor de milho, que consiste em um programa-piloto de incentivo direto a produtores rurais no Cerrado brasileiro para acelerar a adoção de práticas de agricultura regenerativa. O modelo usado é híbrido: “Payment for Practice + Payment for Outcomes” — ou seja, os agricultores recebem compensações tanto pela adoção de técnicas sustentáveis (como compostagem, uso de insumos biológicos, redução no uso de fertilizantes químicos) quanto por resultados ambientais mensuráveis (como redução de agroquímicos, melhoria do solo, menores emissões). A iniciativa é financiada pela PepsiCo Global e os parceiros com investimento previsto de cerca de US$ 1 milhão ao longo de três anos.

O que acredito que as empresas precisam fazer, assim como a PepsiCo já faz, é intensificar a implementação, com metas mensuráveis e governança sólida. Nós já estamos nessa jornada há muitos anos e a COP30 reforçou que vamos continuar ampliando nosso impacto, com transparência, compromisso e escala.

3. Na PepsiCo, temas como ESG, diversidade e inclusão ocupam um lugar central na estratégia — não apenas como compromissos sociais, mas como elementos que impulsionam inovação e competitividade. Como essa visão tem orientado o trabalho de vocês? Pode compartilhar algum exemplo de como esses pilares têm contribuído para gerar valor no negócio?

O reconhecimento da CNI ao nosso trabalho com o SWOF foi um dos momentos mais especiais da COP30 para nós. É um programa inovador de pagamento por resultados ambientais. Isso significa que o agricultor é remunerado não pela intenção, mas pelos impactos reais — como aumento de carbono no solo, redução de erosão, uso eficiente de fertilizantes e melhoria da qualidade da água. Na prática, isso representa:

  • agricultores recebendo renda adicional diretamente pela adoção de práticas regenerativas, como plantio direto, rotação de culturas e redução de insumos;

  •  uso de metodologias científicas para medir resultados ambientais, garantindo credibilidade;

  •  construção de um modelo escalável que reduz risco para o produtor e acelera a transição agroambiental.

Para a PepsiCo, esse reconhecimento demonstra que estamos contribuindo para a agenda agrícola brasileira de forma concreta, verificável e com impacto socioeconômico real.

4. A COP30 também trouxe anúncios importantes voltados à agricultura regenerativa, como o investimento da Rockefeller para fortalecer cadeias locais e conectar a produção sustentável à alimentação escolar. Diante desse movimento global e do ambiente regulatório favorável no Brasil, qual é a importância de ampliar iniciativas que impulsionem a agricultura regenerativa em escala, inclusive a partir do setor privado?

O anúncio da Rockefeller foi um momento muito simbólico na COP, porque deixa evidente que o mundo finalmente entendeu que agricultura regenerativa é solução climática, social e econômica.

E isso conversa muito com o que fazemos todos os dias na PepsiCo. Tenho muito orgulho de ver nossos produtores parceiros implementando rotação de culturas, manejo de solo, agricultura de precisão, redução de insumos químicos — e ainda colhendo mais produtividade. Na prática, estamos:

  • Implementando práticas regenerativas em nossa cadeia de batata e milho, com monitoramento técnico e agronômico com nossos fornecedores diretos;

  •  Garantindo o acesso a de fertilizantes com baixa pegada de carbono aos produtores de nossa cadeia, por meio de uma parceria com a Yara;

  •  Utilizando tecnologia aplicada, como sensores, agricultura de precisão, dados de satélite e análises de solo;

  •  Oferecendo capacitação contínua e ferramentas digitais que ajudam o produtor a reduzir custos e melhorar produtividade com menor impacto ambiental.

O setor privado é crucial para promover escala — porque só conseguimos transformar quando existe mercado, investimento e infraestrutura técnica. Quando o setor privado se engaja de verdade, a mudança acontece mais rápido. E o Brasil tem tudo para liderar: clima, biodiversidade, tecnologia e, principalmente, gente que sabe produzir com excelência.

5. Ao longo do evento, ganhou força a ideia de que transformar os sistemas alimentares, da produção ao consumo, é essencial para reduzir emissões, garantir segurança alimentar e proteger a Amazônia. O Brasil tem políticas, biodiversidade e conhecimento para liderar essa agenda, mas o grande desafio continua sendo ganhar escala em práticas regenerativas e integrar a agricultura familiar às cadeias formais. O que você acredita que precisa acontecer agora, no pós-COP, para que essa transformação dos sistemas alimentares avance de forma concreta e se consolide como um legado do Brasil?

Para que o Brasil consolide seu protagonismo global após a COP30, precisamos avançar em soluções muito práticas:

     1. Escalar práticas regenerativas:

  •  Implementar modelos como o SWOF e ampliar acesso a crédito verde.

  •  Estruturar programas que remunerem serviços ambientais.

  •  Expandir iniciativas já adotadas por empresas como a PepsiCo, que hoje apoia agricultores desde assistência técnica até inovação no campo.

     2. Integrar agricultura familiar às cadeias formais: programas como o nosso de compras inclusivas, que já conectam pequenos produtores a mercados estruturados, precisam se multiplicar.

     3. Criar métricas e políticas claras: a COP debateu muito a necessidade de padrões de mensuração para carbono, água e biodiversidade. Isso dará segurança a produtores e empresas.

     4. Mobilizar consumidores: transformação do sistema alimentar exige educação para escolhas mais sustentáveis.

O legado do Brasil depende da nossa capacidade de construir confiança entre governos, empresas e produtores — e de transformar compromissos em entregas mensuráveis.

A PepsiCo seguirá contribuindo com aquilo que sabemos fazer bem: escala, inovação, parceria com agricultores e implementação real em campo.

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