2026: o ano em que confiança vira infraestrutura​

2026: o ano em que confiança vira infraestrutura

Depois de um ciclo de euforia (tecnologia, crescimento, eficiência), 2026 tende a ser o ano da “volta ao essencial”: transparência, soberania, segurança e bem-estar fora das telas. Consumidores querem menos ruído e mais controle; e as marcas vão ser cobradas não só pelo que prometem, mas pelo que sustentam. A seguir, algumas tendências que devem marcar o próximo ano:

O estouro da bolha da IA & ChatGPT em xeque

O teste real começa agora: a dinâmica de investimentos em IA lembra bolhas clássicas, com valuations difíceis de justificar, empresas sem produto valendo bilhões e capital sugado de outros setores. A pergunta não é “se estoura”, mas como: um choque profundo (como o mercado imobiliário em 2008) ou uma correção mais branda (como o dot-com na virada do milênio). Se o retorno demorar, o ajuste pode apagar trilhões em valor, e o legado depende do que ficar de pé. Ao mesmo tempo, cresce a dúvida estrutural: LLMs talvez não sejam o caminho para AGI, enquanto agentes capazes de substituir funções humanas podem reconfigurar o trabalho. No front competitivo, a disputa aperta: a OpenAI precisa provar receita sustentável e o Google joga com caixa, distribuição e liderança técnica.

Financiamento climático & Agenda verde

O financiamento deixa de ser “assistência” e passa a operar como tese de investimento, com meta, escala e risco na mesa. No cenário global, a COP aprovou elevar a meta para US$ 300 bilhões/ano até 2035 para países em desenvolvimento e mirou US$ 1,3 trilhão/ano até 2035 somando fontes públicas e privadas. Em Belém, bancos multilaterais anunciaram compromisso de US$ 185 bilhões até 2030 para adaptação e mitigação, combinando recursos próprios e mobilização de capital privado. No Brasil, o TFFF empurra a lógica mais longe: um fundo de renda fixa que remunera investidores enquanto cria fluxo contínuo para conservar florestas tropicais. O jogo promete escala (já acima de US$ 6 bi e com €1 bi da Alemanha), mas traz tensão: risco de greenwashing e disputa sobre governança e prioridades locais.

Demografia e inversão da pirâmide etária

Natalidade em queda e longevidade em alta estão achatando pirâmides em “obeliscos”: base estreita, topo largo e pressão direta sobre previdência, trabalho e produtividade. A própria McKinsey aponta que, sem ganhos fortes de produtividade ou mais horas trabalhadas, o crescimento do PIB global per capita pode desacelerar, e o impacto chega cedo ao Brasil. Aqui, a taxa de fecundidade já está em 1,62 (abaixo da reposição), e a razão dos trabalhadores por idoso pode cair de 6,5 para 2,8 até 2050. O país envelhece rápido e com produtividade baixa: cerca de US$ 18/h por trabalhador, vs. US$ 60/h nas economias maduras. A reorganização vira necessidade: tecnologia, qualificação, mais participação no mercado e um redesenho do contrato social para sustentar a economia do cuidado.

Soberania digital

A governança de dados e controle de infraestrutura viram eixo estratégico. O apagão da AWS no final do ano mostrou como falhas em “um coração” da nuvem podem derrubar serviços por horas e expor dependências invisíveis. A concentração pesa: reguladores estimam que AWS e Azure ficam, cada uma, entre 30% e 40% do mercado em regiões como Reino Unido e Europa, e isso acende o alerta sobre resiliência nacional e corporativa. O próximo movimento é político e industrial, com foco em reduzir lock-in, criar padrões de continuidade (inclusive com múltiplos provedores) e fomentar ecossistemas locais/“amigos” para dados e IA. Em 2026, soberania digital deixa de ser discurso e vira decisão de investimento, regulação e cadeia produtiva.

Saudabilidade em 2026 – do hype ao sistema

Depois do choque provocado pelas canetas emagrecedoras em 2024–2025, o próximo ano deve marcar a consolidação da saudabilidade como sistema, não como tendência isolada. Com a ampliação do acesso a medicamentos metabólicos, cresce a pressão por um ecossistema coerente: alimentação, atividade física, sono, saúde mental e prevenção começam a ser vistos de forma integrada. O foco se desloca do emagrecimento rápido para manutenção, adesão de longo prazo e qualidade de vida. Isso abre espaço para novos serviços, alimentos funcionais mais acessíveis, reformulações silenciosas de portfólio e uma comunicação menos aspiracional e mais pragmática. Ao mesmo tempo, surgem debates regulatórios e éticos: medicalização excessiva, desigualdade de acesso e responsabilidade das indústrias. 

Analog wellness

A reação ao excesso de telas ganha corpo, e atividades como cerâmica, bordado, jardinagem e escrita voltam como práticas de presença e liberdade emocional. Em 2026, hobbies deixam de ser passatempo e viram uma espécie de antídoto, trazendo pertencimento, prazer não produtivo e descanso da lógica performática. A tendência não é só “estética retrô”, mas um jeito de retomar ritmo, atenção e identidade fora do algoritmo. Marcas e espaços físicos entram no jogo, mas o que sustenta o movimento é a sensação de que o digital chegou a rendimentos decrescentes. 

Privacidade na era dos wearables

A onipresença de câmeras e microfones discretos transforma o espaço público em um ambiente de vigilância potencial, e a privacidade vira negociação contínua. O que muda é social e legal: gravar sem consentimento tende a se normalizar tecnicamente, e a barreira passa a ser mais cultural do que tecnológica. Wearables “always listening” cristalizam a tensão entre conveniência e consentimento, especialmente porque envolvem terceiros que não escolheram ser captados. Em 2026, os limites legais e morais dos dispositivos como óculos inteligentes e “companheiros” de IA ganham mais destaque e urgência.

Brasil em modo eleição

As eleições presidenciais de 2026 vão acontecer em um ambiente de cansaço político, hiperpolarização e baixa tolerância a improvisos. Depois de anos marcados por crise institucional, tensão entre poderes e disputas narrativas constantes, cresce no eleitorado a demanda por previsibilidade, estabilidade e capacidade de gestão. Temas como custo de vida, segurança, saúde, educação e eficiência do Estado tendem a pesar mais do que grandes projetos ideológicos. Ao mesmo tempo, a desinformação segue como infraestrutura paralela da disputa eleitoral, agora potencializada por IA generativa, deepfakes e campanhas automatizadas

2025 em foco: inovação, clima, tecnologia e futuro do trabalho​

2025 em foco: inovação, clima, tecnologia e futuro do trabalho

À medida que 2025 se aproxima do fim, o setor de alimentos encerra o ano olhando para quatro movimentos que moldaram as conversas e decisões nos últimos meses: 

  1. A maturidade do ecossistema de startups
  2. Os resultados da COP30 em Belém
  3. O avanço cada vez mais concreto da inteligência artificial 
  4. O reposicionamento das grandes empresas de consumo

A seguir, reunimos de forma objetiva o que esses movimentos revelam sobre o ambiente em que empresas globais vão operar nos próximos anos.

Inovações e startups no Brasil

O ecossistema de startups chegou em 2025 mostrando força e maturidade: mais distribuído pelo país, mais focado em soluções B2B e com um salto importante das healthtechs, impulsionadas pela onda de IA aplicada à saúde. Ainda assim, alguns desafios continuam no radar, como dificuldade de escalar, baixa diversidade nas lideranças e pouca entrada de capital internacional. Mesmo com esses entraves, hubs do Nordeste e do Norte crescem acima da média, e o ambiente de inovação segue dinâmico, criativo e cada vez mais conectado às necessidades das empresas e das pessoas. Para empresas, isso significa um ambiente mais preparado para parcerias, testes rápidos e inovação aplicada; para startups, a mensagem é direta: resolver problemas concretos virou mais importante do que prometer disrupções abstratas.

O que a COP30 definiu

A COP30, realizada no Brasil, deixou claro que o foco agora está em execução. Houve avanços relevantes em adaptação climática, transparência e financiamento, além da criação de um mecanismo internacional para apoiar transições justas. Também foi lançado o Fundo de Florestas, iniciativa modelo que já nasce com US$ 6,7 bilhões. Apesar de temas como fósseis e desmatamento terem ficado fora do texto final, a conferência marcou um novo momento ao incluir direitos de povos indígenas, afrodescendentes e mulheres negras nos documentos, uma virada importante para a agenda climática global. O jogo climático passa a exigir soluções implementáveis, métricas de impacto e capacidade de execução, abrindo espaço para inovação em rastreabilidade, adaptação, bioeconomia e novos modelos de financiamento.

IA em 2025: o ano dos agentes

Depois do boom inicial, a IA entra em uma fase mais prática; e 2025 foi marcado pelos agentes autônomos, que executam tarefas complexas de ponta a ponta. O Brasil se destaca na adoção: 40% das empresas já usam IA, e entre startups esse número passa de 50%. Na prática, esses agentes já aparecem em aplicações concretas: em laboratórios de inovação e hubs corporativos, a IA apoia desde a análise de grandes volumes de dados de consumidores até a priorização de ideias e testes de novos produtos; em times de P&D e marketing, agentes automatizam pesquisas de tendências, simulam cenários de lançamento e aceleram ciclos de experimentação; em operações, ajudam a prever demandas, otimizar estoques e identificar gargalos antes que eles se tornem problemas. 

Apesar da adoção exponencial, nem todas as empresas conseguem enxergar resultados: 88% das organizações afirmam usar IA, mas apenas 39% conseguem medir algum impacto real no lucro. Daqui para frente, é importante entender que a tecnologia sem estratégia clara pode gerar mais confusão do que ajuda, e que nem todo o hype vale a pena. Com os sinais da bolha da IA se tornando mais claro, é preciso tomar cuidado e planejar antes de mergulhar nas tendências.

Trabalho e novos modelos organizacionais

A chegada da IA está mudando a estrutura das empresas, especialmente para quem está começando a carreira. Algumas funções de entrada estão diminuindo em áreas facilmente automatizáveis, enquanto profissionais que dominam a tecnologia conseguem crescer mais rápido e assumir novas responsabilidades. Por outro lado, setores como manufatura estão vendo a IA criar novas oportunidades ao simplificar operações. No dia a dia, isso já se traduz em mudanças concretas: equipes mais enxutas apoiadas por agentes de IA que organizam fluxos de trabalho, priorizam demandas e acompanham indicadores; gestores que tomam decisões com base em simulações e cenários gerados automaticamente; e times operacionais que ganham eficiência ao antecipar problemas antes que eles afetem produção ou entrega. O recado geral é claro: entender IA virou diferencial competitivo para profissionais e para negócios.

Saudabilidade, canetas emagrecedoras e o pós-patente

Em 2025, o debate sobre saúde metabólica ganhou uma nova escala com a proximidade da queda de patentes de medicamentos à base de GLP-1, liderados pela Novo Nordisk. A expectativa de entrada de genéricos e biossimilares tende a reduzir preços e ampliar drasticamente o acesso às chamadas “canetas emagrecedoras”, deslocando o tema do campo do luxo médico para o consumo de massa. Esse movimento já começa a provocar efeitos sistêmicos: mudanças no padrão alimentar, queda na demanda por certos ultraprocessados, pressão sobre marcas de indulgência e uma nova conversa sobre prevenção, obesidade e saúde pública.

A explosão das bets

As apostas esportivas se consolidaram como um dos fenômenos mais visíveis de 2025 no Brasil. Com publicidade massiva, patrocínios de clubes, influenciadores e presença constante nas transmissões esportivas, as bets passaram rapidamente do nicho para o centro da cultura popular. Ao mesmo tempo, cresceram os alertas: endividamento, vício, impactos na saúde mental e um público jovem altamente exposto a mensagens de ganho fácil. A regulamentação avançou, mas ainda corre atrás da velocidade do mercado. Para marcas e empresas, o tema exige cautela: ao mesmo tempo em que as bets representam um novo polo de investimento em mídia e esporte, também carregam riscos reputacionais relevantes. O debate sobre limites, responsabilidade e transparência tende a se intensificar, transformando as apostas não apenas em um negócio bilionário, mas em um teste regulatório, ético e social para o país.

Transformação na PepsiCo

Em um ano de tantas mudanças, a PepsiCo também deu passos importantes na sua jornada de transformação. O rebranding marca o momento em que a companhia reforça sua identidade como um ecossistema amplo de alimentos e bebidas, conectado à saúde, bem-estar, ingredientes de qualidade e impacto positivo. É um movimento que conversa com escolhas de consumo mais conscientes e com a estratégia global pep+, que orienta iniciativas de descarbonização, agricultura regenerativa e inovação responsável. A mensagem é simples: a PepsiCo está acompanhando as transformações do mundo e construindo, desde agora, o futuro da alimentação.

5 perguntas sobre a COP30

5 perguntas sobre a COP30

A COP30 colocou o Brasil no centro das discussões sobre clima e sistemas alimentares, e mostrou que implementação é a palavra-chave daqui em diante. Para a PepsiCo, foi a oportunidade de reforçar uma agenda que já faz parte do nosso core: transformar cadeias produtivas com práticas regenerativas, reduzir emissões de ponta a ponta, ampliar o uso eficiente de água e garantir impacto social real nas comunidades onde atuamos. 

Nesta entrevista, Regina Texeira, diretora sênior de assuntos corporativos da PepsiCo, compartilha os aprendizados dos dias intensos em Belém, os bastidores da presença da PepsiCo e o que a conferência sinaliza para o futuro da agenda climática no Brasil e no mundo.

Confira a conversa na íntegra:

1. Depois de todos esses dias intensos em Belém, olhando tanto pela sua perspectiva pessoal quanto pelo olhar de quem representa a PepsiCo em uma agenda global tão estratégica, quais foram os principais insights que você leva da COP30? O que mais se destacou para você e qual é o seu balanço final do encontro?

Voltei de Belém transformada pessoal e profissionalmente. Foram dias intensos, não só pela agenda em si, mas pela força humana que ela carrega. Caminhar pela COP é sentir que estamos tentando escrever uma história nova — e, para mim, essa sensação ficou ainda mais forte por ter tido a oportunidade representar a PepsiCo e também viver essa experiência como cidadã brasileira.

Essa jornada começou muito antes das duas semanas de COP. Desde janeiro, implementamos uma agenda robusta de Assuntos Corporativos para consolidar a liderança da PepsiCo em temas que são estratégicos para nosso negócio (agenda pep+) e que mobilizam a sociedade, tais como: sistemas alimentares regenerativos, descarbonização, água e soluções gerais de impacto positivo para o planeta. Para isso, lançamos mão de uma estratégia envolvendo diversas áreas da companhia em colaboração para posicionar a PepsiCo como referência, influenciando stakeholders, debates e elevando a nossa reputação.

O evento em Belém foi onde toda essa agenda culminou e pudemos reforçar os nossos compromissos e consolidar a imagem da PepsiCo como parceiro de implementação – não apenas na retórica – junto a autoridades brasileiras e globais. Ou seja, reafirmar nosso papel como agente de transformação e liderança global em sustentabilidade, inspirando mudanças e acelerando o impacto positivo em larga escala.

O que mais me marcou nesses dias de COP foi perceber que a transição climática e do sistema alimentar onde nos inserimos depende de gente: produtores, comunidades, empresas, especialistas, jovens e pessoas de instituições diversas… todos construindo soluções em conjunto. A energia da Amazônia potencializou essa verdade de um jeito muito especial.

Saí da conferência com a certeza de que estamos na direção certa na PepsiCo. Nossas entregas em agricultura regenerativa, circularidade, água e clima mostram que não estamos falando de futuro — estamos falando de agora. Já praticamos na PepsiCo, entre diversas outras ações:

  • Mais de 330 mil hectares de agricultura regenerativa no mundo, sendo o Brasil referência global com avanços consistentes;

  •  Uso de energia renovável, como o biometano na fábrica de Itu/SP, e reaproveitamento de água nas operações brasileiras com o uso da tecnologia MBR/OR*;

  •  Iniciativas de impacto social que levam renda e segurança alimentar para quem mais precisa, como os projetos Agro Comunidades e Arroz de Aveia Quaker.

  • Tivemos a oportunidade de mostrar essas e muitas outras iniciativas da PepsiCo na COP30 em todas as mais de 400 interações com autoridades de alto nível que tivemos, 49 painéis dos quais participamos com 6 executivos presentes em mais de 84 horas de discussões, além das entrevistas à imprensa, influenciadores e patrocínio a projetos culturais locais.    

A COP30 me mostrou que, quando juntamos propósito com ação, o impacto aparece.

2. A CEO da COP30, Ana Toni, declarou que o combate às mudanças climáticas deve ganhar celeridade, e isso só acontecerá com a ajuda do setor privado. Como você acredita que as empresas podem participar desse movimento e como a PepsiCo está trabalhando para isso?

Quando a Ana Toni diz que a descarbonização só avança com o setor privado, ela fala uma verdade que eu vejo diariamente. As empresas têm capital, tecnologia, cadeias estruturadas e capacidade de inovação — e isso precisa ser colocado a serviço da agenda climática.

No nosso caso, estamos avançando em energia renovável, redução de emissões, agricultura regenerativa, embalagens circulares e gestão hídrica. Mas, mais do que isso, estamos influenciando nossa cadeia de valor e inspirando parceiros a adotarem metas e práticas semelhantes.

Um dos exemplos, no pilar de agricultura regenerativa, é a parceria que a PepsiCo fechou com a Griffith Foods, com participação da Milhão, nosso principal fornecedor de milho, que consiste em um programa-piloto de incentivo direto a produtores rurais no Cerrado brasileiro para acelerar a adoção de práticas de agricultura regenerativa. O modelo usado é híbrido: “Payment for Practice + Payment for Outcomes” — ou seja, os agricultores recebem compensações tanto pela adoção de técnicas sustentáveis (como compostagem, uso de insumos biológicos, redução no uso de fertilizantes químicos) quanto por resultados ambientais mensuráveis (como redução de agroquímicos, melhoria do solo, menores emissões). A iniciativa é financiada pela PepsiCo Global e os parceiros com investimento previsto de cerca de US$ 1 milhão ao longo de três anos.

O que acredito que as empresas precisam fazer, assim como a PepsiCo já faz, é intensificar a implementação, com metas mensuráveis e governança sólida. Nós já estamos nessa jornada há muitos anos e a COP30 reforçou que vamos continuar ampliando nosso impacto, com transparência, compromisso e escala.

3. Na PepsiCo, temas como ESG, diversidade e inclusão ocupam um lugar central na estratégia — não apenas como compromissos sociais, mas como elementos que impulsionam inovação e competitividade. Como essa visão tem orientado o trabalho de vocês? Pode compartilhar algum exemplo de como esses pilares têm contribuído para gerar valor no negócio?

O reconhecimento da CNI ao nosso trabalho com o SWOF foi um dos momentos mais especiais da COP30 para nós. É um programa inovador de pagamento por resultados ambientais. Isso significa que o agricultor é remunerado não pela intenção, mas pelos impactos reais — como aumento de carbono no solo, redução de erosão, uso eficiente de fertilizantes e melhoria da qualidade da água. Na prática, isso representa:

  • agricultores recebendo renda adicional diretamente pela adoção de práticas regenerativas, como plantio direto, rotação de culturas e redução de insumos;

  •  uso de metodologias científicas para medir resultados ambientais, garantindo credibilidade;

  •  construção de um modelo escalável que reduz risco para o produtor e acelera a transição agroambiental.

Para a PepsiCo, esse reconhecimento demonstra que estamos contribuindo para a agenda agrícola brasileira de forma concreta, verificável e com impacto socioeconômico real.

4. A COP30 também trouxe anúncios importantes voltados à agricultura regenerativa, como o investimento da Rockefeller para fortalecer cadeias locais e conectar a produção sustentável à alimentação escolar. Diante desse movimento global e do ambiente regulatório favorável no Brasil, qual é a importância de ampliar iniciativas que impulsionem a agricultura regenerativa em escala, inclusive a partir do setor privado?

O anúncio da Rockefeller foi um momento muito simbólico na COP, porque deixa evidente que o mundo finalmente entendeu que agricultura regenerativa é solução climática, social e econômica.

E isso conversa muito com o que fazemos todos os dias na PepsiCo. Tenho muito orgulho de ver nossos produtores parceiros implementando rotação de culturas, manejo de solo, agricultura de precisão, redução de insumos químicos — e ainda colhendo mais produtividade. Na prática, estamos:

  • Implementando práticas regenerativas em nossa cadeia de batata e milho, com monitoramento técnico e agronômico com nossos fornecedores diretos;

  •  Garantindo o acesso a de fertilizantes com baixa pegada de carbono aos produtores de nossa cadeia, por meio de uma parceria com a Yara;

  •  Utilizando tecnologia aplicada, como sensores, agricultura de precisão, dados de satélite e análises de solo;

  •  Oferecendo capacitação contínua e ferramentas digitais que ajudam o produtor a reduzir custos e melhorar produtividade com menor impacto ambiental.

O setor privado é crucial para promover escala — porque só conseguimos transformar quando existe mercado, investimento e infraestrutura técnica. Quando o setor privado se engaja de verdade, a mudança acontece mais rápido. E o Brasil tem tudo para liderar: clima, biodiversidade, tecnologia e, principalmente, gente que sabe produzir com excelência.

5. Ao longo do evento, ganhou força a ideia de que transformar os sistemas alimentares, da produção ao consumo, é essencial para reduzir emissões, garantir segurança alimentar e proteger a Amazônia. O Brasil tem políticas, biodiversidade e conhecimento para liderar essa agenda, mas o grande desafio continua sendo ganhar escala em práticas regenerativas e integrar a agricultura familiar às cadeias formais. O que você acredita que precisa acontecer agora, no pós-COP, para que essa transformação dos sistemas alimentares avance de forma concreta e se consolide como um legado do Brasil?

Para que o Brasil consolide seu protagonismo global após a COP30, precisamos avançar em soluções muito práticas:

     1. Escalar práticas regenerativas:

  •  Implementar modelos como o SWOF e ampliar acesso a crédito verde.

  •  Estruturar programas que remunerem serviços ambientais.

  •  Expandir iniciativas já adotadas por empresas como a PepsiCo, que hoje apoia agricultores desde assistência técnica até inovação no campo.

     2. Integrar agricultura familiar às cadeias formais: programas como o nosso de compras inclusivas, que já conectam pequenos produtores a mercados estruturados, precisam se multiplicar.

     3. Criar métricas e políticas claras: a COP debateu muito a necessidade de padrões de mensuração para carbono, água e biodiversidade. Isso dará segurança a produtores e empresas.

     4. Mobilizar consumidores: transformação do sistema alimentar exige educação para escolhas mais sustentáveis.

O legado do Brasil depende da nossa capacidade de construir confiança entre governos, empresas e produtores — e de transformar compromissos em entregas mensuráveis.

A PepsiCo seguirá contribuindo com aquilo que sabemos fazer bem: escala, inovação, parceria com agricultores e implementação real em campo.

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Acompanhar os movimentos do mercado é o primeiro passo para antecipar tendências e inovar com impacto. Todo mês, a curadoria do PepsiCo Labs reúne os acontecimentos que estão redesenhando o futuro dos negócios – com tecnologia, propósito e ação.